Informe publicitário na Folha de SP defende China e chama regime de “referência”

Denunciado no Twitter por Rodrigo Silva, editor do site Spotniks, um “informe publicitário” – matéria paga, foi publicado no jornal Folha de São Paulo chamando a China de “referência no combate à Covid-19”.

A propaganda, que foi publicada na edição impressa do jornal paulista do dia 29 de abril, está na íntegra no site da Xinhua, agência de notícias oficial do governo chinês.

O texto cita os afagos de Evandro Menezes de Carvalho, coordenador do Núcleo de Estudos Brasil-China da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ao regime comunista.

Menezes diz que o país “tem se tornado uma referência e um aliado na luta contra a Covid-19”.

Também afirmou que a China “tem mostrado capacidade para tomar medidas rápidas e eficazes”, sem citar as inúmeras denúncias na internet e de diversos líderes mundiais sobre censura a médicos e supressão de informações sobre o coronavírus.

Para o professor da FGV, a China é exemplo na “transparência das informações” e no “processo de tomada de decisão”, como se os cidadãos chineses tivessem escolhas.

Uma reportagem da CNN denunciou que o regime tem colocado câmeras de vigilância até dentro das casas forçando a população a fazer quarentena e punindo caso haja desobediência.

O especialista também fez críticas a “líderes ineficientes” que “fazem pouco caso da ciência” e rechaçou a “campanha anti-China” realizada, segundo ele, “por políticos importantes dos EUA e Brasil”.

Por fim, acredita que quem critica Pequim tem “discurso obscurantista que é anticientífico, baseado em teorias da conspiração” e que tais governos desejam acobertar “suas falhas na gestão da crise”.

A @folha publicou hoje um artigo patrocinado para defender o governo chinês.

Isso mesmo: um Informe Publicitário disfarçado de jornalismo numa das maiores publicações do país, produzido para desinformar o assinante.

Quem pagou?Segue a thread.

pic.

twitter.

com/Eur7sbG2a3— Rodrigo da Silva (@rodrigodasilva) April 29, 2020ContraditórioÉ surpreendente lembrar que há constantes denúncias de repressão à liberdade de expressão, religiosa e imprensa na China e que um jornal brasileiro, mesmo que em matéria paga, exalte um regime contrário à sua existência.

Também é importante destacar que veículos da grande mídia brasileira tem se aproximado cada vez mais do regime de Xi Jinping.

No ano passado, o Grupo Bandeirantes assinou “acordos de cooperação” com a China Media Group, o que é relatado no site oficial da emissora.

Já o Grupo Globo, também assinou acordo com o canal chinês de notícias CGTN para “troca de programas e colaboração em produção”, noticiado pela própria Folha de São Paulo.

Resta saber até que ponto o controle chinês será imposto no Brasil, já que pelas últimas notícias, o governo não pretende mais financiar a imprensa do país.

E analisar até onde irá o corporativismo da mídia brasileira em evitar citar ou criticar o jornal paulista por aceitar defender e elogiar uma ditadura em troca de uns dólares.

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